Se a mudança é certa, por que gerencia-la?

08/02/2021

Algumas expressões e palavras usadas no "mundo corporativo" não são novidades trazidas pelo ano 2020. Não tenho dúvidas que você já ouviu o “pensar fora da caixa”, “reinventar”, “adaptar”, “empatia” e “mudança”. Alguma é nova para você? Sem dúvida, muitas ganharam força e/ou se tornaram extremamente necessárias para o chamado “novo normal”. Neste artigo, quero trazer para o centro do debate e criar uma provocação especificamente à palavra mudança e se precisamos realmente geri-la.

A mudança está em nossas vidas desde os nossos primeiros passos. Ouvimos inúmeras vezes pelos nossos familiares, amigos e nós mesmos usamos com certa frequência. Nas organizações não é diferente. Pense na quantidade de projetos, nas novas metodologias, nas melhorias de processos e novos sistemas e tecnologias. Dificilmente conseguirá contabilizar a quantidade de projetos que participou na sua organização nos últimos anos, ainda mais na velocidade exponencial que as mudanças estão ocorrendo. Grande parte delas acontece buscando resultados que visam à lucratividade, produtividade, novas oportunidades de negócio, em atender melhor os clientes e até mesmo mudanças para sobrevivência da companhia.

É comum questionarmos os caminhos que as empresas tomam, como por exemplo: “Valeu a pena aquele projeto?” “Será que a mudança de sistema gerou valor?” “As pessoas aguentam tantas mudanças simultâneas?”

Para responder as perguntas, precisamos contextualizar o mundo que estamos vivendo. A partir de 2010, o mundo dos negócios começou a utilizar a sigla VUCA (volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade) para explicar o mundo que estávamos/estamos vivendo. Os processos de transformação devem responder a este mundo tão complexo e incerto, que não tem uma única resposta e que se modifica o tempo todo. Fica evidente a necessidade de se tomar decisões de forma adaptativa, ágil e de mudanças constantes. Não quer dizer que mudanças não ocorriam anteriormente, mas sim que o mundo VUCA acelerou os processos de transformação.

Podemos notar que o ano de 2020 impulsionou algo que já estava ocorrendo: mudanças constantes no mundo dos negócios. Com tais transformações e na velocidade de resposta que o mercado pede, os colaboradores são altamente impactados. Manter a motivação da equipe, engajar para uma determinada mudança, gerir o estresse e conflitos são ações cruciais para o resultado final, o tal sucesso alcançado pós-projeto. Além disso, tivemos a pandemia global, que acelerou o trabalho em home Office, organizações se readequaram devido à nova realidade das demandas e todo o planejamento anual foi pelo ralo abaixo. O senso de urgência em todas as mudanças que estão acontecendo precisam ser acionados. Será que conseguimos viver no modelo “deixar a vida e as mudanças nos levar”? A resposta é não!

Podemos observar tal afirmação nos gráficos abaixo:

Gráfico 1: Buscas do termo “gestão de mudanças” no Google entre 27/10/2019 e 28/10/2020 em todo mundo.

A busca pelo termo Gestão de Mudanças no mundo nos últimos 12 meses teve um salto em todo o período da pandemia.

Gráfico 2: Buscas do termo “gestão de mudanças” no Google Trends entre 27/10/2019 e 28/10/2020

O Brasil não foi diferente. Seguiu o mesmo padrão global. Além disso, podemos observar um aumento nos últimos meses, possivelmente devido à retomada das atividades econômicas e do retorno de organizações aos escritórios.

Demonstra que há a preocupação em buscar novas competências, habilidades e melhores práticas para gerir as mudanças constantes e exponenciais que estão ocorrendo. Não é um fenômeno local, e sim global. As organizações e pessoas entenderam que para implantar uma mudança, seja propositiva ou imposta, deverá aplicar práticas de gestão.

Gráfico 3: Buscas do termo “gestão de mudanças” no Google Trends nos últimos 5 anos.

Para corroborar ainda mais com a análise, veja o gráfico acima que apresenta a busca pelo termo durante os últimos 5 anos. Gestão de Mudanças cresce nos últimos anos, não só pela pandemia mas também pelo mundo VUCA que falamos anteriormente. O que precisamos aceitar é que a mudança precisar deixar de ser de algo “incerto”, do momento de incerteza e/ou insegurança, para ser algo comum. Sempre haverá mudanças em nossas vidas. Precisamos cada vez mais da Cultura da Mudança. E o conhecimento sobre Gestão de Mudanças é fundamental para qualquer organização e profissional, pois é através dos seus fundamentos, guias de conhecimento e melhores práticas que nos farão engajar nosso time, aprimorar a empatia, acelerar e impulsionar melhores resultados e entender que antes de tudo somos humanos!

A mudança é a única certeza. Geri-la é o caminho para humanizá-la, tornar a organização mais resiliente e preparada para encarar os desafios do mundo contemporâneo.

José Roberto Castilho Filho

Especialista em Processos | Projetos | Gestão de Mudanças – HCMBOK® HCMP® HCMBOK to AGILE

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